Lei vai regularizar produção de queijo artesanal serrano em Santa Catarina

O trabalho precisará atender a critérios rígidos quanto ao manuseio dos alimentos e à saúde do trabalhador e dos animais

G1 Santa Catarina e São Joaquim Online

O queijo tradicional faz parte do hábito alimentar e produtivo que passa de geração em geração

O queijo tradicional faz parte do hábito alimentar e produtivo que passa de geração em geração

Os produtores de queijo artesanal serrano estão comemorando desde o dia 3 de agosto a aprovação, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, de projeto de lei que regulamenta a produção e a venda do alimento tradicional da mesorregião Serrana, que é composta por 30 municípios na região oeste do Estado. A matéria aguarda a sanção do governador Raimundo Colombo.

A partir da publicação da lei, após cumpridas as exigências, o produto vai chegar legalmente à mesa dos consumidores.  Conforme o engenheiro agrônomo Ulisses Córdova, da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), especialista no assunto, o comércio do produto não é permitido e, se flagrado, o queijo é incinerado.

Segundo notícia do site São Joaquim Online, a Epagri/Lages informa que, entre os produtores, 71% fabricam o queijo serrano durante o ano todo. Os demais, somente na primavera e verão, quando há maior oferta de pastagens e leite. Para a metade dessas famílias, o queijo serrano representa a principal fonte de renda.

De acordo com uma notícia publicada no G1 de Santa Catarina, com a aprovação da lei, os produtores terão que se adequar as exigências e fazer cursos de boas práticas

agropecuária e de boas práticas de fabricação.

De autoria do deputado Gabriel Ribeiro (PSD), a matéria significa um divisor de águas para os produtos artesanais em Santa Catarina. A partir da regulamentação do queijo, vários outros produtos artesanais poderão obter o mesmo status, avaliou o parlamentar.

“O queijo serrano, feito há mais de dois séculos, com a evolução das normas da vigilância sanitária, tornou-se um produto à margem da lei. A partir de agora, o queijo vai ter um papel importante na geração de renda para os pequenos produtores rurais”, projetou o deputado.

Segue a íntegra da reportagem do G1 realizada em São José do Cerrito, município de Santa Catarina:

Apresentador: Os produtores rurais de Santa Catarina estão comemorando a aprovação de uma lei depois de oito anos batalhando por ela. Essa lei passa a permitir o comércio de um dos

produtos artesanais mais cobiçados feitos principalmente na região oeste.

Eduarda Demeneck, repórter: Para fazer este queijo de dar água na boca, a dona Hilda diz que o segredo começa lá na alimentação do gado. É de onde vem o leite de qualidade para virar matéria prima, passando de mão em mão pelas gerações da família.

Hilda de Oliveira Correa, produtora rural: Eu aprendi a fazer queijo com a minha mãe. Minha avó fazia e hoje eu trago como atividade principal da minha família o queijo.

Eduarda Demeneck: A receita leva o leite cru, que recebe o coalho e depois de algumas horas o sal. São 26 anos de experiência para fazer com que, no final, o queijo fique assim.

Hilda de Oliveira Correa: O segredo do queijo serrano, a experiência, é na mão mesmo. Esse saber fazer é na mão mesmo que você consegue ter o ponto da massa.

Eduarda Demeneck: A tradição virou a principal fonte de renda para quase 1.500 produtores da serra. Mas só agora os deputados aprovaram uma lei permitindo o comércio do queijo artesanal
serrano. Fazia oito anos que os produtores esperavam por este reconhecimento. Agora os produtores vão ter que se adequar as exigências da lei.

Severiano Pereira Neto, extensionista da Epagri: Tem que ter uma unidade separada para a produção do queijo. O produtor tem que fazer exames de saúde periodicamente, os animais

tem que ter exames de saúde também, então ter que fazer o curso de boas práticas agropecuárias, que é a criação de animais, e boas práticas de fabricação, que é a manipulação do produto.

Eduarda Demeneck:  É uma lista que a Associação dos Produtores de Queijo vê vantagem em começar a  cumprir.

Luiz Carlos da Luz Córdova (Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Serrano): Vamos agregar valor neste reconhecimento que nós temos agora.

Eduarda Demeneck: O queijo está presente na mesa do serrano a mais de dois séculos. Ele foi trazido pelos tropeiros e, desde então, essa atividade foi passando de geração em geração. Agora esta tradição está assegurada, para tranquilidade também do filho da Hilda.

Júlio César Correa (produtor rural): Eu me sinto muito bem realizado por estar continuando esta trajetória de vida da nossa família.

Para ver o vídeo do G1, clique AQUI.

Para ler a notícia do São Joaquim Online, clique AQUI.

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